IGREJA DA CLERECÍA E UNIVERSIDADE PONTIFÍCIA
30 minutosDesde 1940 é a sede da Universidade Pontifícia de Salamanca. A universidade oferece visitas guiadas tanto ao colégio como à igreja, proporcionando aos visitantes a oportunidade de conhecer a sua história e património. Além disso, é possível ascender às torres da igreja através de um percurso fascinante que oferece vistas panorâmicas excecionais de Salamanca (Scala Coeli).
Preço visita livre
- Individual - 4.00 €
- Niños (Edad máxima: 12) - 0.00 €
- Grupos - 3.00 €
A presença da Companhia em Salamanca remonta ao século XVI, quando um jovem Inácio de Loyola tentou, sem sucesso, estudar na Universidade de Salamanca. No final do século XVI, os jesuítas começaram a construção de um grande colégio na zona de Peñuelas de San Blas, onde residiriam até 1665, ano em que se transferiram para o novo colégio da Calle Compañía. Após a visita dos monarcas a Salamanca em 1601, a rainha tomou a decisão de fundar um novo colégio para a Companhia de Jesus, com o propósito de formar missionários destinados à evangelização na América e na Europa. A construção prolongou-se por mais de cento e cinquenta anos. O resultado foi um conjunto arquitetónico de excepcional magnitude, considerado uma obra-prima do barroco europeu.
O arquiteto escolhido para realizar a obra foi Juan Gómez de Mora, arquiteto real de Filipe III. Gómez de Mora desenhou os planos entre 1616-1618, sobre os quais outros arquitetos viriam a introduzir modificações, tendo a construção sido iniciada em 1617. As obras começaram pela Igreja, seguindo a tipologia jesuítica de uma nave com capelas laterais e transepto. A configuração final do interior do edifício seria definida no século XVIII. Seria o arquiteto Andrés García de Quiñones quem terminaria a fachada da igreja e construiria o claustro principal, a escadaria nobre e o General de Teologia (hoje Paraninfo da Universidade Pontifícia).
Após a expulsão dos jesuítas em 1767, o edifício foi dividido em três partes. A Igreja e a Sacristia foram entregues à Real Clerecía de San Marcos, dando origem ao seu nome atual. A ala meridional, organizada em torno do claustro da comunidade, foi destinada aos estudantes irlandeses, recebendo o nome popular de “La Irlanda”. Atualmente, esse claustro abriga a biblioteca Vargas Zúñiga, bem como salas de aula e gabinetes da Universidade Pontifícia. Por sua vez, o colégio, estruturado em redor do claustro principal, passou a ser a sede do Seminário Conciliar.
Quando os jesuítas foram expulsos, ainda faltava concluir a fachada da portaria principal do colégio, tarefa que foi empreendida pelo bispo Felipe Beltrán. A obra só foi finalizada doze anos depois da expulsão, como o confirma a inscrição situada sobre o escudo do bispo Beltrán (Anno MDCCLXXIX).
Durante o século XIX, e especialmente durante a Guerra da Independência, o edifício foi utilizado em várias ocasiões como quartel e hospital de campanha pelas tropas acantonadas na cidade. Posteriormente, retomou a sua função como seminário e, desde 1940, tornou-se a sede principal da Universidade Pontifícia de Salamanca.
Do ponto de vista artístico, a Igreja e o Colégio representam os elementos mais destacados deste grande conjunto arquitetónico. Ambos os espaços, juntamente com o percurso pelas torres da igreja (Scala Coeli), estão abertos ao público, proporcionando aos visitantes uma experiência única para mergulhar na sua história.
A visita ao antigo Colégio Real do Espírito Santo divide-se em duas partes principais. Por um lado, o percurso pela Universidade Pontifícia e pela Igreja da Clerecia, que é sempre realizado como parte das visitas guiadas organizadas pela própria Universidade. Por outro, a subida às torres —conhecida como Scala Coeli—, que é feita de forma livre e permite desfrutar do conjunto monumental das alturas.
O EXTERIOR DO COLÉGIO Da sua localização privilegiada, no coração do centro histórico e no topo do Teso das Catedrais, o Colégio Real domina toda a cidade histórica. O colégio ocupa um quarteirão extenso da cidade com fachadas para a Calle Compañía, à qual dá nome, e para as ruas de Serranos e Cervantes. As paredes exteriores, percorridas por centenas de janelas colocadas em filas sobrepostas, lembram as do Mosteiro de El Escorial. Quando observado à distância, destacam-se dois longos pavilhões com galerias situados a norte e sul do edifício. O colégio estrutura-se em torno do grande Claustro de Estudos, com a igreja situada ao meio-dia. No lado oriental, em direção à rua Cervantes, encontra-se o claustro menor, hoje ocupado pela biblioteca Vargas Zúñiga da Universidade Pontifícia.
A FACHADA DA IGREJA A fachada está encaixada na Calle Compañía, em frente à Casa de las Conchas. Através da sua articulação arquitetónica, à base de colunas de ordem gigante e grandes entablamentos, quebra a monotonia das paredes exteriores. O seu crescimento em altura reflete a evolução do edifício desde a sobriedade maneirista das portas com verga até à grande barroquização das torres e sineira. Estrutura-se como se fosse um grande retábulo dividido em dois corpos e três ruas, individualizadas por colunas de ordem gigante. É rematado pelas imponentes torres que ladeiam a sineira com o relevo da Vinda do Espírito Santo.
No primeiro corpo do templo, sobre as portas laterais, destacam-se os escudos de Filipe III e Margarida de Áustria. O nicho central, situado sobre a porta principal, acolhe uma escultura de Santo Inácio de Loyola.
A incorporação das torres acentuou o caráter barroco da fachada. Desenhadas por García de Quiñones, apresentam dois corpos sobrepostos com janelas em cada uma das suas quatro faces. As esquinas são rematadas com pináculos e pares de estátuas realizadas por Gregorio Carnicero que representam as quatro Virtudes Teologais e Cardeais, os 4 Padres da Igreja e diversos santos jesuítas.
A CÚPULA A cúpula, de planta octogonal e com mais de 50 m. de altura, é um dos elementos mais impressionantes do conjunto. No entanto, do ponto de vista técnico, apresenta certas deficiências, pelo que teve de ser restaurada em várias ocasiões, especialmente após o terramoto de Lisboa de 1755, cujos efeitos lhe causaram rachaduras e desabamentos.
PORTAL DO COLÉGIO Jerónimo García de Quiñones foi o encarregado de completar o portal do colégio após a expulsão dos jesuítas, momento em que o edifício passou a ser Seminário Conciliar. O portal eleva-se acima do nível da rua e o seu acesso é feito através de uma escadaria de duplo lance. A sua estrutura segue o modelo de fachada-retábulo, articulada em dois corpos separados por um robusto entablamento. Na parte inferior, duas estilizadas semicolunas emolduram o conjunto, enquanto sobre a porta se destaca o escudo do bispo Beltrán, acompanhado de uma inscrição que indica a data da sua construção. No segundo corpo, sobre a janela central, encontra-se o escudo de Carlos III.
A IGREJA A construção da igreja começou no ano de 1617 e foi consagrada em 1665. Segue a tipologia jesuítica de uma nave com capelas laterais, comunicadas entre si por portas com verga. Sobre as capelas estão as tribunas, abertas para a igreja por portas com varandas. Foi desenhada e construída até o início das abóbadas por Juan Gómez de Mora, e é aqui que melhor se aprecia a influência do Escorial. Sobre o transepto ergue-se a enorme cúpula, cujas pendentes exibem os escudos esculpidos de Filipe III.
No interior da igreja, foi decorada com 10 retábulos, destacando-se entre todos o do altar-mor. Foi realizado por Juan Fernández entre 1673 e 1675 num estilo pré-churrigueresco. Tem 22 metros de altura e o seu corpo central é percorrido por enormes colunas salomónicas. Na rua central destacam-se o alto-relevo da Vinda do Espírito Santo, ladeado pelas estátuas dos Padres da Igreja Ocidental. O sótão é presidido pelo relevo da Virgem inspirando os Exercícios Espirituais a Santo Inácio. Os retábulos do transepto foram consagrados a S. Francisco Xavier e a Santo Inácio de Loyola. Cada uma das sete capelas laterais é decorada com grandes retábulos barrocos com diferentes invocações. Destacando os dedicados a Santa Catarina de Alexandria, à Visitação da Virgem à sua prima Santa Isabel e a Santiago.
Nesta igreja têm sede duas Irmandades Penitenciais que participam na Semana Santa de Salamanca: • A Irmandade Universitária do Santíssimo Cristo da Luz e Nossa Senhora Mãe da Sabedoria. Fundada em 1948. • A Irmandade de N.S. Jesus Flagelado e Nossa Senhora das Lágrimas. Fundada em 1948. O Flagelado é uma magnífica obra de Luis Salvador Carmona (1760). Foi realizado para o retábulo da sacristia, que hoje tem uso académico, pelo que foi colocado na igreja, sobre o altar do retábulo de Santa Catarina.
ANDAR NOBRE DO CLAUSTRO As galerias interiores do andar nobre do claustro estão cobertas por abóbadas de berço com lunetas. Sobre as portas dos ângulos destacam-se telas com retratos de cardeais e bispos da Companhia de Jesus. As paredes das galerias estão decoradas com 28 telas que narram a vida de Santo Inácio de Loyola. Foram realizadas em Roma, na oficina de Sebastián Conca, em meados do século XVIII.
AULA MAGNA Na galeria oeste do claustro, junto à escadaria principal, abre-se o General de Teologia, hoje Paraninfo da Universidade Pontifícia. O general de teologia foi terminado em 1746 por A. García de Quiñones. É uma ampla sala de forma retangular, cuja abóbada está ricamente ornamentada com estuques e gessos entre os quais se entrelaçam figuras alegóricas e inscrições em latim. No alto da abóbada estão representados os quatro Doutores da Igreja Latina, intercalados com os escudos de Filipe III e Margarida de Áustria. Nos grandes lunetas das paredes laterais representa-se o P. Diego Lainez expondo uma das suas aulas magnas perante o Concílio de Trento e a Sabedoria e Santo Inácio enviando os seus filhos para ensinar todas as ciências.
ESCADA PRINCIPAL Na ala oeste situa-se a escada principal que comunica os diferentes andares do claustro. Deve-se também a Andrés García de Quiñones e está coberta por uma abóbada de panos repletos de estuques com escudos policromados dos fundadores. É uma espetacular escada suspensa de nove lances. O precedente desta escada encontra-se na que Rodrigo Gil de Hontañón realizou para o convento dominicano de São Estêvão em meados do século XVI.
CLAUSTRO DOS ESTUDOS O Colégio alberga um monumental claustro barroco de três andares, obra de Andrés García de Quiñones. A sua estrutura compõe-se de três corpos, os dois primeiros percorridos por colunas de ordem gigante semelhantes às da fachada. Apenas no nível inferior as galerias têm arcos abertos para o pátio. O andar nobre tem varandas com portas coroadas por óculos apaisados. É neste corpo que se concentra a decoração, destacando-se dois escudos do rei Filipe V em cada lado.
Todos os anos, quando termina o curso, este claustro serve de cenário incomparável para a foto dos jovens que se formam nas faculdades que têm a sua sede neste edifício.
No andar nobre do claustro encontra-se uma série de 28 quadros que narram a vida de Santo Inácio de Loyola (ver Vita Ignatii).