RETÁBULO BARROCO DAS CLARISSAS
30 minutosO edifício sofreu várias reformas importantes ao longo da sua história. Graças a uma restauração realizada em 1988, puderam ser recuperadas as pinturas medievais do coro e um magnífico teto em caixotões, obras que tinham ficado ocultas nas reformas anteriores. Esta intervenção recebeu o Prémio Europa Nostra de Património e propiciou a abertura de um museu ao público. No coro baixo podem ser contempladas as pinturas murais, do final do século XIII e princípios do século XIV, as mais antigas de Salamanca. Plataformas sobre a abóbada barroca da igreja permitem aceder ao telhado original, com interessante policromia heráldica.
A igreja é decorada com sete retábulos barrocos, destacando-se o retábulo-mor, que foi realizado no início do século XVIII por Joaquín de Churriguera. Este retábulo faz parte da Rota da Constelação de retábulos barrocos de Salamanca, um itinerário artístico que convida a redescobrir o esplendor da arte barroca através dos retábulos conservados em oito templos da cidade.
O Convento de Santa Clara é o mais antigo dos mosteiros femininos conservados na cidade. A sua origem remonta à primeira metade do século XIII, quando um grupo de mulheres da nobreza decide unir-se em comunidade para viver asceticamente e proteger-se quando os seus maridos iam para a guerra. Estabeleceram-se na ermida de Santa Maria, dando origem ao beaterio de Dueñas de Santa Maria. Com o passar dos anos, e graças a privilégios de papas e reis, tornou-se no Real Mosteiro de Santa Clara. Este convento foi o lar da comunidade de Clarissas durante aproximadamente oitocentos anos. No ano de 2019, as religiosas, perante a falta de vocações, deixaram este local para se instalarem noutros mosteiros da ordem.
Trata-se de um espaço emblemático reconvertido hoje em Museu Conventual de Santa Clara. Nele se mostra o grande legado espiritual, artístico e histórico que o convento preservou ao longo dos séculos. No percurso pelo mosteiro, o visitante pode contemplar um grande número de obras de arte que nos aproximam da vida e espiritualidade da comunidade de freiras clarissas. O mais destacado são as pinturas medievais que revestem os muros do coro baixo, o claustro, a igreja barroca e o excecional teto em caixotões medieval que foi descoberto acidentalmente sobre a abóbada barroca da igreja nos anos setenta do século XX. A posterior restauração recebeu em 1988 o Prémio Europa Nostra de Conservação do Património.
Entre as múltiplas surpresas que a visita ao Convento de Santa Clara de Salamanca nos reserva encontra-se a igreja conventual e os seus retábulos. A origem desta igreja remonta ao século XIII, sofrendo remodelações importantes em duas ocasiões: uma, como consequência do incêndio ocorrido em 1413, e outra, no final do século XVII e princípio do XVIII para se adaptar aos gostos e necessidades da época. A igreja, de pequenas dimensões e planta retangular, é coberta com abóbada de berço com lunetas. Esta falsa abóbada ocultou durante séculos o teto em caixotões original da igreja que foi descoberto e restaurado no final do século XX e que hoje constitui um dos principais atrativos do convento.
A igreja adorna-se com sete retábulos barrocos, todos eles acabados com um esplêndido dourado. O retábulo-mor foi contratado em 1701 por Joaquín de Churriguera e Pedro de Gamboa. É presidido pela imagem de Santa Clara, titular do convento, a quem acompanham a Imaculada, Santo António de Pádua e São Francisco de Assis. As esculturas foram atribuídas a José de Larra Domínguez, cunhado dos Churriguera.
A igreja embeleza-se com sete retábulos barrocos, cujo resplendor dourado parece iluminar o templo ao entrar no seu interior. O retábulo-mor foi encomendado em 1701 a Joaquín de Churriguera e a Pedro de Gamboa. Embora de dimensões mais reduzidas, este retábulo guarda estreita relação com o que o seu irmão José realizou para a Igreja de San Esteban. Talhado em madeira dourada com folha de ouro, o seu desenho adapta-se harmoniosamente ao arco semicircular da abóbada. Compõe-se de uma predela, um corpo central dividido em três ruas e um ático, coroado por uma peineta decorada com um querubim.
O corpo central do retábulo articula-se em três ruas, delimitadas por colunas salomónicas e rematadas nos extremos por estípites. Toda a sua ornamentação constitui uma exaltação do Sacramento da Eucaristia. As seis colunas apresentam uma decoração exuberante, com cachos de uvas e folhas de parra que cobrem quase por completo a sua superfície, sem deixar apenas um centímetro livre.
O sacrário, localizado sob um baldaquino, também é flanqueado por colunas salomónicas. A porta que o resguarda está decorada com uma pintura que representa Jesus Cristo portando a Sagrada Hóstia. No nicho central encontra-se a imagem de Santa Clara de Assis com a custódia, enquanto no ático se situa a figura da Imaculada. A ambos os lados, dois anjos jovens entre volutas apontam com as suas mãos para a Virgem, destacando a sua presença. Os nichos das ruas laterais abrigam as esculturas de São Francisco de Assis e Santo António de Pádua, completando assim o conjunto iconográfico do retábulo.
Os altares laterais, do mesmo estilo que o maior, embora de menores dimensões, estão dedicados a São Boaventura, o Calvário, Santa Catarina de Bolonha, São João Batista e Nossa Senhora do Rosário.