CASA MUSEU ZACARIAS GONZÁLEZ
1 horaO museu alberga mais de 600 quadros, cerca de 2.000 desenhos e seis livros ilustrados, um conjunto excecional que permite percorrer a trajetória criativa e a personalidade artística de um dos grandes referentes da arte espanhola do século XX.
Preço visita livre
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Zacarías González foi um dos grandes pintores espanhóis do século XX. A sua obra está conservada na Casa Museu de Salamanca graças à doação da sua família à Fundação Caja Duero. Realizou inúmeras exposições tanto em cidades espanholas (Madrid, Valladolid, Valência, Múrcia...) como fora das fronteiras do país (Paris, Havana e diferentes cidades da Alemanha, Itália, Suíça ou Japão). No entanto, a partir dos anos 60, o pintor decidiu afastar-se gradualmente dos circuitos artísticos e dedicar-se ao ensino em San Eloy e ao trabalho no seu estúdio.
Zacarías González era um homem de vasta cultura, apaixonado pela leitura, jazz e cinema, influências que se refletem nos títulos e temas das suas obras. A sua grande imaginação levou-o a inventar uma família, os Panatakis, e criou uma narrativa em torno dela, protagonista de alguns dos seus quadros. Estes permitem-nos testemunhar a viagem de lua de mel dos Panatakis, como eles têm um filho ou como a mulher fica viúva. Outra das pinturas mais destacadas do salmantino é 'La suite de Nueva Orleans', que reúne duas das suas paixões: o cinema e a música. Além de pinturas e desenhos, Zacarías González realizou esculturas e livros manuscritos, revelando-se um artista multifacetado.
Também se destacou como professor, valorizando profundamente a aprendizagem mútua com os seus alunos. Embora tenha começado a desenhar quando criança, a sua dedicação à pintura iniciou-se em 1947, durante o seu serviço militar em Navarra, onde a luz e a cor do ambiente marcaram o seu estilo.
A obra de Zacarías González foi estudada na tese realizada pela Doutora Díez Moreno, na qual define as três grandes etapas em que a sua obra foi dividida. Uma primeira etapa figurativa, na qual estuda e aprende com artistas como Picasso, Poussin ou Cézanne; uma segunda, abstrata, especialmente destacada pelo seu informalismo matérico, na qual terão grande importância as composições com diferentes materiais e as colagens; e uma terceira figurativa, mais íntima e melancólica, na qual desenvolveu uma linguagem própria, afastada das pressões do mercado e da crítica. Nesta última fase, as suas obras mostram uma técnica prodigiosa, uma composição harmónica e um cromatismo refinado, com objetos quotidianos e figuras humanas que transmitem introspecção e silêncio.
O percurso pela Casa Museu Zacarías González divide-se em três andares:
Andar Térreo: o percurso inicia-se na antiga garagem da residência onde são expostas obras da sua fase da Primeira Figuração (1940-1958/60). Continua-se pela Sala de Exposição I, onde antigamente o pintor realizava exposições para os colecionadores, para terminar na Sala da Lareira.
Primeiro Andar: nele é conservado o quarto do artista em seu estado original, as Salas de Exposição II e III, dedicadas à sua fase abstrata (1958/60-1965/67) e a Sala de Estar, também conservada em seu estado original.
Segundo Andar: podem ser visitadas a Sala de Exposição IV, com obras da Segunda Figuração (1965/67-2003), a Sala de Leitura, a Sala de Estudo, em seu estado original, e o Atelier de Pintura, onde o autor trabalha e onde podem ser observados os utensílios de atelier.
Nesta residência, grande parte da vida do artista Zacarías González se desenrolou. Em seu interior, as diferentes divisões da casa são preservadas praticamente como eram em sua época, o que permite ao visitante mergulhar em seu ambiente cotidiano. Além disso, algumas de suas obras mais destacadas são exibidas, organizadas ao longo de três andares, cada um dedicado a uma de suas fases artísticas, oferecendo assim um percurso completo pela evolução de sua trajetória criativa.
PISO TÉRREO: • Sala de entrada: o percurso começa na antiga garagem da residência, onde são expostas obras de sua fase da Primeira Figuração (1940-1958/60). A exposição inicia com uma obra de seus primórdios: El Bodegón de la Alcuza.
• Sala de Exposição I:, onde antigamente o pintor realizava exposições para os colecionadores. São expostas obras da Primeira e da Segunda Figuração.
• Sala da Lareira: é preservada em seu estado original com as obras que o artista tinha aqui expostas: Laud, Joya, Retrato de la señora Panatakis, Las Guapa del abanico, Los bidones, etc.
• Escadaria: a maioria das obras aqui penduradas são de pequeno formato e correspondem à fase da Segunda Figuração. El príncipe Baltasar Carlos, cópia de Velázquez.
PRIMEIRO ANDAR: • Quarto do artista: é preservado em seu estado original: Em uma das paredes, vê-se o retrato que ele fez de seu pai em 1948.
• Salas de Exposição II e III: dedicadas à sua fase abstrata (1958/60-1965/67).
• Sala de Estar: também conservada em seu estado original. Nas obras expostas estão presentes as grandes fases do artista, com obras tão significativas como Retrato de niña, Astilleros, Figura en Rojo, La Señora Panatakis y su hijo, etc.
SEGUNDO ANDAR: • Sala de Exposição IV: com obras da Segunda Figuração (1965/67-2003).
• Sala de Leitura: destaca-se nela o magnífico autorretrato que o artista realizou em 1957.
• Sala de Estudo: é preservada em sua configuração original.
• Estúdio de Pintura: onde o autor trabalha e onde podem ser observados os utensílios de atelier. Sobre o cavalete encontra-se o último quadro em que estava trabalhando antes de partir para Alicante, esperando o retorno de seu autor após o verão. Mas não foi possível, este pequeno quadro encerra assim 60 anos de uma fecunda vida pictórica, que contribui para a pintura espanhola do século XX com uma obra coerente, sincera e de enorme qualidade,