HUERTO DE CALIXTO Y MELIBEA
1 horaUma escultura de Agustín Casillas dá as boas-vindas ao visitante: é a figura da velha Celestina, a astuta alcoviteira que simboliza a intriga e o engano no romance, convertida aqui em guardiã silenciosa deste lugar cheio de magia.
O espaço foi adquirido pela Câmara Municipal em 1981 e transformado em jardim público, tornando-se um oásis de exuberante vegetação, uma ilha de verdura que emerge no meio do mar de pedra do centro histórico de Salamanca. É um lugar que convida ao passeio tranquilo, à leitura pausada ou simplesmente a deixar-se envolver pela atmosfera íntima que emana da horta. Dos seus dois miradouros desfrutam-se vistas privilegiadas da Catedral e do vizinho convento de San Esteban, que se erguem imponentes sobre o perfil histórico da cidade.
Preço visita livre
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Este jardim romântico deve o seu nome aos protagonistas de A Celestina, a célebre obra de Fernando de Rojas, que foi estudante da Universidade salmantina no século XV. A cidade conserva dois enclaves ligados a esta obra literária: o Penedo Celestina, a oeste do Teso das Catedrais, onde segundo a tradição vivia a velha alcoviteira, e este horto, onde a tradição situa o jardim do palácio do pai de Melibea, cenário dos encontros amorosos dos jovens protagonistas.
O acesso ao Horto de Calisto e Melibea é feito a partir do Pátio Chico, através da tranquila Rua do Arcediago. Esta estreita passagem conduz-nos até um antigo muro de pedra, onde se abre uma porta com arco de volta perfeita e grandes aduelas sobre a qual se exibem os brasões de Alonso de Paradinas, Arcediago de Ledesma e bispo de Ciudad Rodrigo. Alonso de Paradinas foi estudante no Colégio Maior de San Bartolomeu; ali copiou o exemplar do Livro do Bom Amor que hoje se conserva na Biblioteca Histórica da Universidade. Paradinas passou muitos anos da sua vida em Roma, onde mandou construir a Igreja e Hospital de Santiago, considerado o primeiro edifício renascentista construído em Roma. Sobre a porta desta igreja ostenta o mesmo brasão que aqui vemos. Hoje, além da porta brasonada, o poço e uma cisterna, quase nada resta do edifício que aqui existiu, mas não é difícil imaginar um palácio tardo-medieval com a sua altiva torre dominando a cidade.
O amplo terreno que se estende desde a porta até à muralha, no troço compreendido entre a Casa Lis e a Porta de San Polo, hoje está ocupado por um jardim frondoso cujo miradouro é o adarve da muralha medieval, com vistas incríveis do Convento de San Esteban e da Catedral.
Em 1981 foi adquirido pela Câmara Municipal que, depois de uma cuidada intervenção, o transformou num jardim público. Na reabilitação foram combinados os elementos já existentes, tanto vegetação como arquitetura, com outros novos para o converter num horto de flor com conotações românticas. O horto foi ampliado em 1992, quando a Câmara Municipal adquiriu o terreno adjacente, conhecido como o Jardim do Vizir pelo apelido pelo qual era conhecido o seu proprietário.
À entrada, junto a um antigo muro coberto de trepadeiras, chama imediatamente a atenção uma magnífica amoreira-negra que dá sombra à escultura da alcoviteira, provavelmente herdeira daquelas plantações de amoreiras promovidas em Salamanca entre os séculos XVIII e XIX para a criação do bicho-da-seda. Junto à amoreira uma fonte e bancos de pedra criam um recanto romântico embalado pelo murmúrio da água.
CASA DA CALEIRA
À direita encontra-se a Casa da Caleira, lugar onde era guardada a cal que se empregava para a construção da Catedral Nova e que em algum momento também serviu de tipografia da Universidade. Hoje acolhe o Albergue de peregrinos que percorrem a Via da Prata em direção a Santiago.
O JARDIM
Um muro de pedra, no qual se abre um arco de volta perfeita com grandes aduelas, dá acesso a um jardim frondoso. A rica vegetação, o arvoredo que mal deixa passar a luz e a lenda, hipnotizam aqueles que cruzam esta porta. O caminho principal conduz até ao poço, em torno do qual se articula a estrutura do jardim de planta irregular e em socalcos. O espaço divide-se em 16 canteiros delimitados por sebes de buxo com os seus espaços interiores ocupados por árvores de fruto entre as quais se intercalam uma variada vegetação de plantas e arbustos. Passear hoje pelo Horto de Calisto e Melibea é percorrer um espaço que conserva a memória do seu passado como horta, transformado hoje num jardim urbano cheio de vida e diversidade botânica. Os seus caminhos serpenteiam entre árvores de fruto, plantas medicinais, espécies ornamentais e outras associadas a antigas crenças e usos mágicos.
A FONTE E A AMOREIRA
À entrada, junto a um antigo muro coberto de trepadeiras, chama imediatamente a atenção uma magnífica amoreira-negra que dá sombra à escultura da alcoviteira, provavelmente herdeira daquelas plantações de amoreiras promovidas em Salamanca entre os séculos XVIII e XIX para a criação do bicho-da-seda. Junto à amoreira uma fonte e bancos de pedra criam um recanto romântico embalado pelo murmúrio da água.
O POÇO
No coração do jardim ergue-se um poço com brocal de granito, testemunha silenciosa de incontáveis histórias de amor, representadas nos muitos cadeados que pendem do seu arco e que o conectam diretamente com a obra de Rojas.
O MIRADOURO DA MURALHA
A zona sul do jardim ergue-se sobre a muralha, com dois miradouros situados sobre torres da cerca medieval. Passear pelo seu amplo adarve é um prazer para os sentidos e o melhor miradouro sobre a Catedral e o imenso conjunto do Convento de San Esteban.
O JARDIM DO VIZIR
Graças à menor frondosidade da vegetação, este ponto permite uma vista desafogada da cúpula da Catedral Nova e da Torre Sineira. Exatamente aqui foi instalado o ponto de selfie, um lugar perfeito para capturar um autorretrato com este excecional cenário.
Do miradouro do Jardim do Vizir, situado sobre um torreão da muralha, apreciam-se também os atraentes vitrais da Casa Lis.
Ampla variedade vegetal encontra-se neste jardim. Pode encontrar: loureiro, hera, amendoeiras, acanto, videiras, amoreira, flor-da-paixão, oliveiras, alecrim, ameixeiras, hortênsias, adelfa, nogueira, faia, cerejeira, murta, figueira, teixo, damasqueiro, tília, azevinho, pita, castanheiro-da-índia, nespereira japonesa, plátano, bambu e marmeleiro-do-japão.
