Salamanca
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PARQUE ARQUEOLÓGICO DO BOTÂNICO

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O Parque Arqueológico do Botânico localiza-se no centro histórico de Salamanca, na borda sudoeste do Teso de las Catedrales. As escavações arqueológicas permitiram documentar uma estratigrafia excepcional que percorre a evolução da cidade desde a etapa pré-romana (séculos IV–I a. C.) até o esplendor do Século de Ouro, quando este espaço ficou integrado no tecido religioso e académico com a presença de conventos, colégios maiores e fundações vinculadas a ordens militares.

A história do lugar, contudo, também é marcada pelo desaparecimento. A Guerra da Independência e a Desamortização implicaram a destruição destes grandes edifícios, dando lugar a uma ocupação muito mais modesta do terreno, com habitações humildes, oficinas e até mesmo uma fábrica de eletricidade. No século XX, o espaço acabou por se transformar nas pistas de atletismo da Universidade de Salamanca.

O impulso definitivo chegou com as obras para uma nova biblioteca universitária, que trouxeram à luz os restos do Colegio Mayor de Cuenca e do Convento de San Agustín, hoje conservados e visitáveis. Este último foi, entre os séculos XVI e XVIII, a principal casa de estudos agostiniana de Espanha, um centro de grande prestígio onde professaram figuras de enorme relevância como São João de Sahagún, frei Luís de Leão ou Santo Tomás de Villanueva.
As escavações realizadas no final do século XX e início do XXI no espaço que ocupavam as antigas pistas de atletismo do Botânico permitiram trazer à luz os restos do Colégio de Cuenca e do Convento de Santo Agostinho. Atualmente, guias e arqueólogos oferecem visitas interpretativas a este enclave, enriquecidas com o uso de óculos de realidade virtual que recriam como eram os edifícios que se erguiam neste local até a sua destruição no século XIX. O resultado é uma autêntica imersão no passado, na qual o Colégio de Cuenca, bem como a igreja e o convento de Santo Agostinho, voltam a emergir diante dos olhos do visitante mais de dois séculos após o seu desaparecimento.

O terreno compreendido entre a praça da Merced e a praça de Fray Luis constitui um dos setores mais ricos em achados arqueológicos de Salamanca, algo compreensível se levarmos em conta que sob ele se acumulam mais de 2.400 anos de história. Neste espaço, sucederam-se conventos, palácios, ruas, igrejas e colégios, tanto universitários quanto militares.

Um dos aspetos mais surpreendentes para quem percorre hoje os restos do Botânico é descobrir que, durante a Idade Média, esta zona foi ocupada por uma importante judiaria. Dela se tem registo de pelo menos três sinagogas, uma delas situada no local onde mais tarde foi construído o Colégio de Cuenca. A expulsão dos judeus representou uma profunda transformação do bairro. Entre os séculos XVI e XVIII, o antigo espaço judeu foi ocupado por grandes construções eclesiásticas e universitárias, como o Colégio do Rei, o Colégio Trilíngue, os Colégios Maiores de Cuenca e de Oviedo, e os conventos de Santo Agostinho, da Merced e de São Caetano. Já no século XIX, a zona sofreu os efeitos da Guerra da Independência e da Desamortização de Mendizábal, que reduziram estes edifícios a ruínas e deram origem à denominação popular de “Bairro dos Caídos”.

A primeira escavação de caráter “científico” foi realizada em 1856, impulsionada por uma comissão formada por Cafranga, Alegría e De la Fuente —um arquiteto, um livreiro e um catedrático de jurisprudência— com o objetivo de localizar entre as ruínas do convento de Santo Agostinho os restos de frei Luis de León. Estes foram encontrados em 13 de março do mesmo ano e posteriormente trasladados para a capela das Escolas Maiores.



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Sítio arqueológico
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