Salamanca
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PÁTIO DAS ESCOLAS MENORES

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O Pátio das Escuelas Menores é um dos cantos mais evocativos e tranquilos do complexo universitário de Salamanca. Construído no início do século XVI, em suas salas de aula eram ministrados ensinamentos básicos como gramática e lógica, antes de se ter acesso aos estudos superiores.

Ao atravessar sua entrada -presidida por uma bela fachada plateresca com os símbolos do imperador Carlos V e o escudo da Universidade- o visitante tem acesso a um espaço de grande harmonia arquitetônica: um pátio quadrangular, de um único andar, rodeado por galerias de arcos mistilíneos, sustentados por colunas de granito com capitéis simples. A serenidade do lugar convida à introspecção, e sua atmosfera parece deter o tempo, como se os ecos de antigos estudantes ainda ressoassem entre seus muros.

Em suas alas abrem-se as portas das antigas salas de aula. Em uma delas se conserva o Céu de Salamanca, uma pintura mural do final do século XV que representa o firmamento de uma perspectiva mitológica, com planetas, constelações e signos do zodíaco. Esta obra, que originalmente fazia parte da antiga biblioteca universitária, foi transferida para este espaço em meados do século XX.

Na ala norte encontra-se o antigo General, dividido em dois espaços por dois arcos rebaixados que sustentam dois tetos de madeira: um mudéjar, de caibro e frechal, e o outro renascentista, decorado com caixotões. Hoje este espaço é utilizado como sala de exposições temporárias.

As Escolas Menores constituem um dos conjuntos mais singulares do ambiente universitário de Salamanca e ocupam um lugar de destaque no grande distribuidor urbano que é o Pátio das Escolas. Este espaço foi configurado no século XVII como resultado de um ambicioso projeto impulsionado sob o reinado de Filipe III, cujo objetivo era criar uma grande praça que ordenasse, conectasse e concedesse maior visibilidade aos edifícios da Universidade de Salamanca. Deste modo, nasceu um cenário urbano único, concebido como uma autêntica Cidade do Saber, onde arquitetura, história e vida acadêmica convergem.

Em torno do Pátio das Escolas articulam-se os edifícios mais emblemáticos da instituição: a leste erguem-se as Escolas Maiores, com sua célebre fachada plateresca; ao sul, o antigo Hospital do Estudo, fundado em 1413, cuja portada constitui um dos melhores exemplos do gótico final na cidade; e a oeste, uma discreta porta conduz à chamada Casa dos Doutores da Rainha, hoje integrada no Museu de Salamanca.

No entanto, é no ângulo sudoeste onde se acede a um dos espaços mais especiais do conjunto: o Pátio das Escolas Menores, ao qual se entra através de uma delicada porta plateresca presidida pelo escudo de Carlos V. Neste contexto, as Escolas Menores representam um dos seus espaços mais evocadores e carregados de significado. Tradicionalmente destinadas ao ensino preparatório, sua função era servir de antesala acadêmica às Escolas Maiores, o que as torna uma peça chave dentro do sistema educativo histórico da Universidade.

Este pátio, de escala mais íntima e recolhida, encerra um dos tesouros mais valiosos do patrimônio universitário: o Céu de Salamanca, uma pintura mural de finais do século XV atribuída a Fernando Gallego. Esta obra, que representa uma complexa visão mitológica do firmamento, fazia originalmente parte da antiga biblioteca universitária e permaneceu oculta durante séculos até sua redescoberta e traslado a este espaço no século XX.

O Pátio das Escolas Menores, com seus característicos arcos mixtilíneos, não só conserva este legado artístico, mas também manteve sua vitalidade como espaço cultural. Ao longo das últimas décadas acolheu exposições de grande relevância, como a instalação de Os Burgueses de Calais de Auguste Rodin em 2002 ou a mostra de Miquel Barceló em 2018, reafirmando assim seu papel como lugar de encontro entre tradição, arte e conhecimento.

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