MIRADOURO DE SAN VICENTE
15 minutosLocalizado no extremo sudoeste do centro histórico de Salamanca, o Miradouro de San Vicente assenta sobre um morro carregado de história, onde até o século XIX se erguia o antigo Mosteiro Beneditino de San Vicente.
Este enclave não só oferece uma panorâmica excecional da cidade, mas também conserva a origem de Salamanca. Hoje, o morro tornou-se um parque arqueológico que permite descobrir os vestígios do primeiro povoamento salmantino: uma povoação da Primeira Idade do Ferro vinculada à Cultura do Soto de Medinilla.
Os restos do antigo mosteiro foram reabilitados e albergam um museu dedicado à história da cidade, com uma exposição centrada nos monumentos desaparecidos durante o século XIX devido à Guerra da Independência e à Desamortização de Mendizábal.
O miradouro faz parte da Rota de miradouros de Salamanca e oferece uma das vistas mais impressionantes do conjunto histórico de Salamanca.
No seu cume conservam-se os restos mais antigos de Salamanca, um povoado da Primeira Idade do Ferro vinculado à cultura do Soto de Medinilla (séc. VIII-IV a.C.). Séculos mais tarde, na Idade Média, foi erigido ali o convento beneditino de San Vicente, que seria transformado num forte militar pelas tropas napoleónicas durante a Guerra da Independência. Em junho de 1812, durante a Batalha de Salamanca, as forças do General Wellington atacaram e destruíram o forte, marcando o início da sua decadência. Após a Desamortização e o despejo dos frades, o convento foi vendido e as suas ruínas foram praticamente desmanteladas, restando apenas de pé algumas paredes do antigo claustro conventual. No final do século XIX, o cerro começou a ser ocupado por famílias humildes que reutilizaram os seus restos para construir as suas habitações, tornando-se um dos bairros mais pobres da cidade.
Em 1949, durante as obras de construção do Colégio Maior Nossa Senhora de Guadalupe, foram descobertos os restos do povoado pré-histórico. Este achado impulsionou, décadas mais tarde, um ambicioso projeto de investigação e recuperação dos vestígios conservados no cerro. Em 1997 foi redigido o Plano Diretor do Cerro de San Vicente, que regula todas as intervenções realizadas desde então neste espaço. O cerro transformou-se num parque arqueológico onde podem ser contempladas as habitações construídas com adobes durante a Primeira Idade do Ferro, assim como o museu erguido no ano de 2001 sobre os restos do antigo claustro, hoje transformado num centro de interpretação sobre a história de Salamanca. Atualmente trabalha-se na reforma e musealização dos restos do povoado pré-histórico e das baterias construídas pelo exército francês durante a Guerra da Independência, trabalhos que, uma vez finalizados, consolidarão o cerro como um espaço único para compreender a evolução histórica da cidade.
O Miradouro de San Vicente faz parte da Rota dos Miradouros de Salamanca, uma proposta que convida a redescobrir a cidade das suas perspetivas mais inspiradoras. Localizado na zona oeste do centro histórico, este recanto, elevado e tranquilo, oferece uma das panorâmicas mais espetaculares de Salamanca. Daqui, o olhar desliza por uma paisagem monumental que condensa séculos de história e arte.
À nossa frente ergue-se o Teso de las Catedrales, separado do Cerro de San Vicente pela Vaguada de la Palma, por onde corre, canalizado, o Arroio dos Milagres. A panorâmica começa à nossa esquerda com a bela cúpula barroca da Igreja da Puríssima, e estende-se pelos pavilhões com galerias da Universidade Pontifícia, até alcançar as imponentes torres e cúpulas de La Clerecía e da Catedral Nova. No centro desta vista destaca-se o edifício das Escolas Maiores, emblema do legado universitário de Salamanca.
Até à Guerra da Independência, ambos os cerros estiveram ocupados por conventos e colégios universitários, todos eles arrasados durante o conflito. Deste ponto, à nossa esquerda, avista-se o Palácio de Congressos e Exposições de Castela e Leão, erigido sobre o antigo terreno do Colégio Maior de Oviedo. Mais além, no terreno do Botânico, podem ser visitadas as ruínas do Colégio de Cuenca e do Convento de San Agustín. À direita encontra-se a Faculdade de Ciências, construída sobre o local que ocupou o Colégio del Rey, da Ordem Militar de Santiago.
A borda do cerro, conhecida como a Peña Celestina, conserva na memória coletiva a presença da velha alcoviteira protagonista da célebre obra literária. Nesse mesmo local foi construído na Idade Média o Alcácer de San Juan, sobre cujo terreno se ergueu o Convento de San Cayetano e em tempos recentes dependências da Faculdade de Ciências. No desfiladeiro do cerro ainda se conserva um troço da muralha medieval de Salamanca, conhecida como a Cerca Velha.
Ao cair da tarde, especialmente no verão, a luz do sol tinge os edifícios de tons avermelhados, transformando a cidade numa tela dourada. E quando a noite chega, a iluminação monumental converte este miradouro numa varanda privilegiada para contemplar Salamanca sob o manto estrelado.