Salamanca
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CASA DAS CONCHAS

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A Casa das Conchas é uma mansão senhorial da época dos Reis Católicos que combina elementos do gótico tardio, do mudéjar e do renascimento. Sua construção começou no final do século XV por iniciativa de Rodrigo Maldonado de Talavera, embora tenha sido seu filho, Rodrigo Arias Maldonado, quem a concluiu.

O edifício deve seu nome às numerosas conchas que decoram sua fachada. Sobre a porta principal e as janelas destacam-se os escudos dos Maldonado —com cinco flores de lis— e os dos Pimentel, com conchas. As grades das janelas do andar inferior são consideradas autênticas obras-primas da serralheria espanhola.

Embora a fachada seja seu elemento mais emblemático, o pátio interior é igualmente notável, com os característicos arcos mistilíneos próprios de Salamanca, colunas de mármore no andar superior, escudos e gárgulas que representam seres fantásticos.

Atualmente, a Casa das Conchas abriga a Biblioteca Pública da Junta de Castilla y León em Salamanca.

A época dos Reis Católicos representou uma profunda transformação política e social na Península. Com o seu reinado, a monarquia consolidou-se e surgiu uma nobreza cortesã, integrada na administração real e recompensada com privilégios económicos e sociais. Os seus laços com Itália favoreceram a chegada das correntes renascentistas, que despertaram um renovado interesse pela estética e pelas artes.

A pacificação do território, após o fim das guerras nobiliárias e a conquista de Granada, abriu um período de estabilidade que impulsionou a vida urbana. As cidades tornaram-se espaços seguros e a nobreza abandonou progressivamente as suas fortalezas rurais para se instalar de novo nelas. Este retorno proporcionou um notável auge arquitetónico, especialmente na construção de edifícios civis. Entre eles destacou-se o palácio urbano, símbolo do poder senhorial, que conservava certos ecos do castelo medieval: torres que sobressaíam do casario, cresterias que evocavam antigas ameias e muros repletos de escudos que proclamavam a linhagem dessas famílias.

Salamanca participou plenamente deste renascimento urbano e cultural. Desde finais do século XV, e sobretudo ao longo do XVI, foi palco de uma importante atividade edificatória: constrói-se uma nova catedral, surgem ou renovam-se os edifícios universitários configurando a chamada cidade do saber e a nobreza urbana ergue importantes palácios. Neste contexto insere-se a Casa das Conchas, uma das obras mais representativas da arquitetura civil da época.

A origem das conchas que cobrem a sua fachada deu origem a várias interpretações: para alguns assinalaria a passagem do Caminho de Santiago junto a ela; para outros faria referência à pertença dos Maldonado à Ordem de Santiago e também foram interpretadas como uma homenagem de Rodrigo Arias Maldonado à sua esposa, Juana Pimentel, cuja linhagem —os duques de Benavente— utilizava a concha como emblema heráldico.

A tradição popular enriqueceu o edifício com numerosas lendas. Uma das mais difundidas assegura que sob uma das conchas se oculta um tesouro ou uma moeda de ouro. Outra relata que os jesuítas ofereceram pagar uma moeda de ouro por cada concha com o fim de adquirir a casa e derrubá-la para abrir uma praça que permitisse contemplar a fachada da sua igreja.

Também o brasão dos Maldonado gerou relatos lendários. Sobre o dintel da porta aparece o brasão familiar, coroado por elmo, cetro e uma filactéria com a inscrição Ave Maria. Segundo a tradição, as flores de lis foram concedidas a um antepassado, Aldana, após vencer em duelo o duque da Normandia, filho do rei de França. Para salvar o seu filho, o monarca teria permitido incorporar ao brasão o cetro real e a flor de lis, pronunciando a frase cette fleur de plat est maldonnée (“esta flor está mal doada”), origem lendária do apelido Maldonado.

Hoy a Casa das Conchas alberga uma biblioteca pública integrada na rede de bibliotecas da Junta de Castela e Leão. A sua programação cultural é constante e variada, com conferências, exposições e atividades cénicas. Nos sótãos encontram-se uma sala de conferências e várias galerias destinadas a mostras temporárias. Durante o FACYL, o seu pátio transforma-se num palco singular que acolhe propostas de música contemporânea e teatro, tornando-se num dos espaços mais emblemáticos do festival.

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