Salamanca
Salamanca

IERONIMUS. TORRES DA CATEDRAL DE SALAMANCA

1 hora 30 minutos
O percurso pelo interior das Torres da Catedral de Salamanca recebe o seu nome de Jerónimo de Perigueux (c.1060-1120), um clérigo francês que foi capelão do Cid Campeador e bispo de Valência. Após a morte do Cid, foi nomeado bispo de Salamanca em 1102, durante o repovoamento cristão impulsionado pelo conde Raimundo de Borgonha e D. Urraca, filha do rei Afonso VI.

No ano 2002, novecentos anos após a restauração da diocese, as torres da catedral abriram as suas portas aos visitantes. Trata-se de um percurso único que permite conhecer espaços só acessíveis até esse momento às pessoas que trabalhavam para a Catedral. O percurso oferece-nos as melhores vistas do centro histórico, ao mesmo tempo que permite contemplar o interior dos dois templos catedráticos a partir de perspetivas únicas.

A Torre do Sino sofreu importantes danos após o Terramoto de Lisboa de 1755, o que obrigou a realizar diversas reparações. Todos os anos, Salamanca recorda que a cidade não sofreu vítimas naquele desastre através da tradicional subida do Mariquelo, que ascende ao topo da torre vestido de charro para agradecer à Virgem a sua proteção.

As Torres da Catedral são um dos emblemas de Salamanca. De longe desenham o perfil da cidade e marcam o seu horizonte; de perto, com quase cem metros de altura, impõem-se com rotundidade sobre a malha urbana do centro histórico. Percorrer o seu interior permite-nos descobrir a história da sua construção e mergulhar em nove séculos de arte e história através da exposição documental Ieronimus.

A origem desta proposta fascinante, hoje conhecida como Ieronimus, remonta ao final do século XX, quando começaram os trabalhos de restauração das torres da catedral. Pouco depois, a colaboração entre o Cabido da Catedral e a Câmara Municipal de Salamanca permitiu abrir ao público um novo espaço patrimonial que recebeu o nome do primeiro prelado da diocese quando esta foi repovoada em 1102. Ao longo de mais de vinte anos, os espaços visitáveis foram ampliados e os conteúdos expositivos têm sido constantemente renovados.

Ieronimus não é apenas um percurso pelo interior das torres da Catedral de Salamanca; é, sobretudo, uma viagem pela história da arte religiosa ocidental e uma imersão nas entranhas desses prodigiosos engenhos arquitetónicos que são as catedrais. O itinerário aproxima-nos do trabalho de arquitetos, canteiros, vidraceiros e todos aqueles artesãos e artistas que, durante séculos, modelaram estes espaços. Contemplar o seu legado inevitavelmente leva-nos a questionar por que realizaram um trabalho tão meticuloso em espaços inacessíveis para quem não fazia parte da vida da Catedral.

À medida que avançamos, cada compartimento surpreende mais do que o anterior. A primeira grande maravilha é ver a Catedral Velha a partir da Sala do Alcaide: através de uma janela geminada, abre-se uma magnífica panorâmica do templo, com o retábulo dos irmãos Delli ao fundo. O acesso ao terraço exterior da Torre Mocha constitui por si só um espetáculo: os dois templos catedráticos desdobram-se perante nós, com ameias, arcobotantes e pináculos que narram séculos de arquitetura religiosa. Destacam-se especialmente o cimborrio da Catedral Velha —a célebre Torre do Galo— e, sobre ele, recortada no céu, a cúpula da Catedral Nova. Só por este momento a subida já teria valido a pena, mas o percurso continua, sempre surpreendente. Ieronimus parece inesgotável, a cada poucos anos oferece novos compartimentos e experiências.

Percorrer a plataforma situada aos pés da Catedral Nova oferece uma vista imponente do novo templo. Subir pela escada em caracol até ao terraço da fachada ocidental da Catedral Nova é debruçar-se sobre o melhor “balcão” da cidade. Salamanca estende-se sob os nossos pés: desde o Cerro de San Vicente, origem da cidade, passando pela Universidade, o Colégio Maior Fonseca, o antigo Colégio dos Jesuítas e a Plaza de Anaya com o Colégio Maior de Anaya, até finalizar com o Convento de San Esteban.

Ao avançar pelo terraço, uma pequena porta aberta na fachada principal da Catedral Nova conduz ao espaço sob o telhado, um espaço até agora oculto e vedado ao público. Uma passarela permite caminhar sobre o extradorso da abóbada da nave central e sob as coberturas do templo. Lá, uma belíssima projeção audiovisual convida a “voar” sobre a catedral e a descobrir detalhes invisíveis a partir do chão.

Ao finalizar a visita, quem se detém e observa com calma compreende que não percorreu apenas um monumento: atravessou novecentos anos de história da arte condensados nas duas Catedrais de Salamanca.

Ler mais
Catedral Conjunto de interesse
Edifício religioso: Igrejas, conventos, mesquitas, sinagogas e templos
Igreja
lugar histórico
Património da Humanidade
Ponto de interesse turístico
Torre
Preço visita livre
  • Individual - 4.00 €
  • Grupos (Número mínimo: 20) - 3.50 €
  • Niños (Edad máxima: 10) - 0.00 €