MUSEU CERRO DE SAN VICENTE
1 hora 30 minutos
O Museu do Cerro de San Vicente é um espaço expositivo contemporâneo e interativo inaugurado em 2025. Este projeto, desenhado por Vicente Núñez Arquitectos e promovido pela Exma. Câmara Municipal de Salamanca, foi galardoado com o Prémio Nacional de Restauro e Conservação de Bens Culturais “Cidades Património da Humanidade” 2002. O espaço combina a arqueologia com uma musealização contemporânea e constitui a origem da história da cidade.
O edifício erguido em 2001 sobre os vestígios do claustro do antigo Convento de San Vicente tem sido objeto de diversas intervenções museológicas, a mais recente inaugurada em 2025. Esta nova exposição percorre a história de Salamanca desde as suas origens no povoado do Soto de Medinilla, passando pela evolução do convento de San Vicente, o impacto da ocupação napoleónica e as mudanças urbanas ocorridas durante os séculos XIX e XX.
A exposição atual, dedicada à Salamanca Desaparecida "Salamanca invisível", incorpora recursos digitais interativos, dioramas, painéis informativos, reproduções de armas utilizadas durante a Guerra da Independência e plantas históricas de Salamanca, oferecendo ao visitante uma experiência imersiva e educativa.
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O edifício erguido em 2001 sobre os vestígios do claustro do antigo Convento de San Vicente tem sido objeto de diversas intervenções museológicas, a mais recente inaugurada em 2025. Esta nova exposição percorre a história de Salamanca desde as suas origens no povoado do Soto de Medinilla, passando pela evolução do convento de San Vicente, o impacto da ocupação napoleónica e as mudanças urbanas ocorridas durante os séculos XIX e XX.
A exposição atual, dedicada à Salamanca Desaparecida "Salamanca invisível", incorpora recursos digitais interativos, dioramas, painéis informativos, reproduções de armas utilizadas durante a Guerra da Independência e plantas históricas de Salamanca, oferecendo ao visitante uma experiência imersiva e educativa.
O assentamento proto-histórico, ocupado entre os séculos VIII e IV a.C., situava-se num ponto estratégico sobre o Tormes, dominando um vau do rio e controlando um amplo território. A sua posição no corredor natural que comunica o sul peninsular com a Meseta Norte —a futura Via da Prata— favoreceu os intercâmbios económicos e culturais desde épocas muito remotas. O povoado, de cerca de duas hectares e aproximadamente 250 habitantes no seu momento de maior desenvolvimento, estava protegido por um escarpamento natural e por um muro defensivo no seu setor mais vulnerável.
A economia das gentes do Soto combinava agricultura, pecuária e coleta, complementadas pela caça. A presença de moinhos de mão, celeiros e restos de fauna evidencia uma intensa atividade produtiva. A cultura material mostra um notável desenvolvimento artesanal, especialmente na olaria e na metalurgia do bronze, juntamente com trabalhos têxteis e a elaboração de utensílios de osso e pedra.
Após um longo período de abandono, o outeiro voltou a ser ocupado na Idade Média. Embora as origens do mosteiro de San Vicente não sejam totalmente claras, sabe-se que existia antes de 1143, data em que Afonso VII o doou à ordem de Cluny. No século XVI, sob os Reis Católicos, o convento foi incorporado à Ordem Beneditina Reformada e transformado em colégio universitário, o que motivou uma profunda reconstrução que deu lugar a um conjunto monumental de grande valor arquitetónico. No entanto, a Guerra da Independência significou a sua ruína: os franceses fortificaram-no e, durante o cerco de Salamanca de 1812, ficou praticamente destruído. Após a desamortização de 1835, o outeiro tornou-se um bairro humilde cujos habitantes reutilizaram os restos do convento.
Nos últimos anos, as escavações revelaram achados excecionais que demonstram contactos com o Mediterrâneo oriental, como cerâmicas fenícias e egípcias, entre as quais se encontram objetos cultuais fabricados em faiança, como um pequeno ídolo que seguramente representa uma deusa. Estes materiais, juntamente com a presença de uma grande estrutura retangular interpretada como um possível espaço ritual, sugerem que as relações com povos orientais foram mais profundas do que um simples intercâmbio comercial.
A redescoberta do povoado pré-histórico em 1949 e o projeto de recuperação iniciado nos anos noventa permitiram transformar o outeiro num parque arqueológico e num espaço chave para a interpretação histórica de Salamanca. Em 2025, foi inaugurado o Museu e começaram os trabalhos de musealização dos vestígios proto-históricos e das defesas napoleónicas, consolidando o outeiro como um lugar onde confluem investigações histórico-arqueológicas e divulgação cultural.
A economia das gentes do Soto combinava agricultura, pecuária e coleta, complementadas pela caça. A presença de moinhos de mão, celeiros e restos de fauna evidencia uma intensa atividade produtiva. A cultura material mostra um notável desenvolvimento artesanal, especialmente na olaria e na metalurgia do bronze, juntamente com trabalhos têxteis e a elaboração de utensílios de osso e pedra.
Após um longo período de abandono, o outeiro voltou a ser ocupado na Idade Média. Embora as origens do mosteiro de San Vicente não sejam totalmente claras, sabe-se que existia antes de 1143, data em que Afonso VII o doou à ordem de Cluny. No século XVI, sob os Reis Católicos, o convento foi incorporado à Ordem Beneditina Reformada e transformado em colégio universitário, o que motivou uma profunda reconstrução que deu lugar a um conjunto monumental de grande valor arquitetónico. No entanto, a Guerra da Independência significou a sua ruína: os franceses fortificaram-no e, durante o cerco de Salamanca de 1812, ficou praticamente destruído. Após a desamortização de 1835, o outeiro tornou-se um bairro humilde cujos habitantes reutilizaram os restos do convento.
Nos últimos anos, as escavações revelaram achados excecionais que demonstram contactos com o Mediterrâneo oriental, como cerâmicas fenícias e egípcias, entre as quais se encontram objetos cultuais fabricados em faiança, como um pequeno ídolo que seguramente representa uma deusa. Estes materiais, juntamente com a presença de uma grande estrutura retangular interpretada como um possível espaço ritual, sugerem que as relações com povos orientais foram mais profundas do que um simples intercâmbio comercial.
A redescoberta do povoado pré-histórico em 1949 e o projeto de recuperação iniciado nos anos noventa permitiram transformar o outeiro num parque arqueológico e num espaço chave para a interpretação histórica de Salamanca. Em 2025, foi inaugurado o Museu e começaram os trabalhos de musealização dos vestígios proto-históricos e das defesas napoleónicas, consolidando o outeiro como um lugar onde confluem investigações histórico-arqueológicas e divulgação cultural.
O Museu do Cerro de San Vicente é uma nova proposta “contemporânea, interativa e divulgativa”, que permitirá contextualizar as descobertas arqueológicas e os acontecimentos vividos neste local onde se encontra a origem da cidade. O percurso guiado pelo seu interior foi dividido em dez etapas:
- Visualização do audiovisual que explica a importância do Cerro de San Vicente.
- Reflexão sobre a cidade e as formas de a conhecer e aprender com ela.
- Percurso pela primeira sala onde é apresentada uma linha do tempo com a história da cidade, mapas e plantas de diferentes períodos, a mítica pintura da cidade de Anton van den Wyngaerde de 1570 e uma atraente proposta audiovisual que narra a evolução de Salamanca desde a sua origem neste monte até à atualidade.
- A quarta etapa aprofunda os vestígios encontrados neste local, o povoado da primeira Idade do Ferro e o desaparecido mosteiro de San Vicente, ligado à importância que os conventos tiveram em Salamanca.
- Continua-se a explorar objetos representativos como a maleta de Wellington; a maquete do pavilhão real que García de Quiñones desenhou para a Plaza Mayor; vestígios e armas da Batalha de Los Arapiles; e uma obra do artista Juan Figueroa.
- A sexta etapa propõe um encontro entre a arqueologia científica e a arte.
- Prossegue-se com um monográfico sobre a Batalha de Los Arapiles.
- Relembram-se as crises que abalaram o futuro de Salamanca como a cheia de San Policarpo, o Terramoto de Lisboa, a Guerra da Independência e a Desamortização.
- Uma etapa é dedicada ao impulso do urbanismo e ao crescimento da cidade.
- Conclui-se com uma pequena homenagem à transformação do bairro de San Vicente, o histórico bairro de Las Maravillas que foi criado nas encostas do monte.
MUSEU DO CERRO DE SAN VICENTE SOBRE A SALAMANCA DESAPARECIDA “Salamanca invisível”
A planta do museu desenvolve-se em forma de “L” em torno do espaço claustral, coincidindo com duas das galerias originais do mosteiro. Uma série de passarelas e plataformas facilitam o percurso pelo seu interior. O percurso pelo interior do museu organiza-se nas seguintes etapas:
- Visualização do audiovisual que explica a importância do Cerro de San Vicente para o conhecimento das origens da cidade.
- Reflexão sobre a “cidade invisível”, a cidade desaparecida mas ainda latente nos vestígios arqueológicos e na memória coletiva.
- No percurso pela galeria oeste poderemos ver: • Uma linha do tempo desde tempos geológicos até à atualidade. • Exposição de mapas e plantas históricas que mostram as transformações do centro histórico de Salamanca desde o século XVIII até ao século XX. • A mítica panorâmica da urbe realizada em 1570 por Antón van den Wyngaerde. • Um ecrã com uma atraente proposta audiovisual que narra, através de plantas e áudios, a evolução de Salamanca desde as suas origens.
- Na galeria sul conserva-se in situ o magnífico pavimento da Sala Capitular do convento, elaborado com calhaus rolados de quartzito que formam elegantes designs geométricos. Neste espaço explica-se a história do mosteiro beneditino de San Vicente e aprofundam-se os vestígios arqueológicos encontrados no local, sublinhando a importância que os conventos tiveram na vida religiosa e urbana de Salamanca. Também se mostra como, após a destruição do convento durante a Guerra da Independência, as suas ruínas foram reutilizadas pelas famílias que colonizaram o cerro na segunda metade do século XIX, transformando-o num dos bairros mais humildes da cidade, conhecido como o Bairro de San Vicente y los Milagros. 5.- No interior de uma sala, são expostos uma série de objetos que chamam poderosamente a atenção dos visitantes: a pasta de Wellington e a maquete da Câmara Municipal desenhada por Andrés García de Quiñones no século XVIII. Um diorama com projeções sobre uma maquete narra o desenvolvimento da Batalha dos Arapiles. 6.- As adegas: numa das adegas, é apresentada a pré-história de Salamanca, com destaque para o sítio arqueológico do Soto de Medinilla localizado no cerro. Um audiovisual projeta designs geométricos sobre os muros.
- No piso superior, encontramos informação sobre a Batalha dos Arapiles, a Desamortização e o posterior crescimento e desenvolvimento urbanístico de Salamanca durante os séculos XIX e XX.
- Na zona do miradouro, são exibidas vitrines com reproduções de armas utilizadas durante a Guerra da Independência. Conclui-se observando, a partir deste espaço privilegiado, como se transformou no bairro de San Vicente desde o final do século XX.