CONVENTO DE SAN ESTEBAN
1 horaPreço visita livre
- Individual - 4.50 €
- Grupos (Número mínimo: 20) - 3.50 €
- Estudiantes - 3.50 €
- Jubilados - 3.50 €
- Niños (Edad máxima: 10) - 0.00 €
A este convento acorreu Cristóvão Colombo em busca de apoio para as suas viagens, onde foi acolhido entre 1486 e 1487. O seu grande benfeitor foi o prior do convento, frei Diego de Deza, confessor da rainha Isabel.
O Convento de Santo Estêvão foi, desde a sua origem, um importante centro de estudo e docência da Teologia. Foi um foco cultural de primeira ordem com figuras do calibre de Domingo de Soto ou Francisco de Vitoria, iniciador da Escola de Salamanca, pai do Direito Internacional e defensor dos direitos dos indígenas americanos. Aqui se prestou ajuda espiritual a Santa Teresa de Jesus. Num dos confessionários do claustro diz-se que a Santa se confessava. Santo Inácio de Loyola passou cinco dias convivendo com os frades do convento que o examinaram sobre a sua doutrina. Quando saiu do convento, foi conduzido à prisão do bispado. O facto de não lhe permitirem pregar até que tivesse os seus estudos de teologia fê-lo abandonar a cidade e ir estudar para Paris.
Durante a Guerra da Independência, foi ocupado pelos franceses, que saquearam todos os seus objetos de valor e utilizaram o convento como quartel e hospital. As sucessivas desamortizações e a dissolução da ordem dominicana em 1835 provocaram o seu abandono e a transferência da propriedade para o Bispado, que decidiu estabelecer a paróquia de São Paulo na igreja, com o resto do convento convertido em quartel de cavalaria e enfermaria. O mobiliário e a biblioteca do convento foram espoliados. O progressivo deterioramento parecia imparável até que a Comissão de Monumentos assumiu a responsabilidade pelo conjunto e em 1865 converteu o claustro em Museu Provincial de Belas Artes.
Desde 1892, voltou a funcionar como convento da Ordem dos Pregadores. Atualmente, existe uma comunidade de monges dedicados ao estudo, à pregação e ao ensino da Teologia. Tem Faculdade de Teologia e uma editora centrada em temas dominicanos e no humanismo cristão.
No percurso pelo convento, podem-se visitar os seguintes espaços:
1.- ESCULTURA DE FRANCISCO DE VITORIA Antes de chegar ao convento de São Estêvão, vemos a escultura que Salamanca dedicou em 1975 a Francisco de Vitoria, precursor dos Direitos Humanos e do Direito Internacional. Segundo uma antiga tradição, quando a gota o impedia de caminhar até à universidade, os seus alunos levavam-no em andores até às salas de aula, impulsionados pela admiração e pelo desejo de continuar a aprender com o seu mestre de teologia.
2.- PONTE SOBRE O RIBEIRO DE SÃO DOMINGOS Para aceder à esplanada que se abre em frente à igreja de São Estêvão, é preciso atravessar a pequena ponte que se ergue sobre o Ribeiro de São Domingos. Foi mandada construir pelo dominicano Domingo de Soto no seu regresso do Concílio de Trento. É uma ponte de um só arco construída com pedra de Villamayor. É fascinante admirar, da esplanada que antecede a igreja, a majestosidade da sua fachada. Os relevos e esculturas platerescos, esculpidos com maestria sobre a pedra de Villamayor, possuem tal finura que muitos duvidam que realmente estejam talhados em rocha. A beleza desta fachada é indiscutível em qualquer momento do dia, mas atinge o seu máximo esplendor ao pôr do sol de verão, quando a pedra se tinge de um vermelho intenso, oferecendo um espetáculo inesquecível.
3.- A FACHADA A fachada foi desenhada pelo arquiteto Juan de Álava. Nela se trabalhou de 1524 a 1610. É uma das obras-primas do plateresco espanhol. Organiza-se como um grande retábulo, dividido em tramos e corpos. Abriga um enorme arco cujo intradorso é decorado com alcachofras e caixotões. Nas sanefas do arco, ostentam-se dois grandes escudos do cardeal Álvarez de Toledo, o promotor da obra. Medalhões, relevos e 23 esculturas sobre repisas e sob baldaquinos, na sua maioria de santos dominicanos, contam passagens da história bíblica e da própria história da Ordem dos Pregadores através dos seus santos e mártires.
No corpo inferior, flanqueando a porta principal, podemos contemplar quatro imagens de santos: São Jacinto da Polónia, São Domingos de Gusmão, São Francisco de Assis e Santa Catarina de Siena. Nos medalhões da porta, representam-se Moisés e Elias. O segundo corpo é presidido pelo grande relevo que representa o Martírio de Santo Estêvão, assinado por Antonio Ceroni em 1610. Flanqueiam-no, da esquerda para a direita, São Tomás de Aquino, Santo André, São João Evangelista e São Pedro Mártir de Verona. Sobre o relevo da lapidação, três medalhões representam Jó, o rei Salomão e o Sacrifício de Isaac. Um magnífico friso plateresco, considerado um dos mais belos do plateresco espanhol, separa o corpo central do sótão. Nele aparecem representados personagens e animais mitológicos. No topo do sótão, um majestoso Calvário domina a composição. Ao seu lado, flanqueando-o, encontram-se as figuras de São Pedro e São Paulo, enquanto nos extremos se erguem as dos papas Gregório Magno e Leão Magno.
4.- PÓRTICO DE ACESSO À PORTARIA O pórtico, realizado por Juan de Ribero entre 1590 e 1592, é composto por nove arcos de volta perfeita que seguem o modelo das loggias renascentistas italianas e contrastam, pelo seu classicismo, com a exuberante decoração plateresca da fachada. Nos medalhões das sanefas representam-se santos da Ordem dos Pregadores. O piso alto, situado sobre a portaria, que foi a antiga biblioteca, acolhe hoje o museu de arte sacra.
- A PORTARIA Na abóbada do corredor da portaria, cinco telas representam algumas das personagens mais relevantes da história do convento: Francisco de Vitoria, Melchor Cano, Diego de Deza, o cardeal Juan Álvarez de Toledo e Domingo de Soto.
6.- O CLAUSTRO DOS REIS (ou DAS PROCISSÕES) Foi construído sobre o espaço que ocupava o claustro do século XIV, do qual ainda se podem ver várias portas emparedadas nos muros. Foi realizado pelo arquiteto dominicano frei Martín de Santiago. É o claustro principal, denominado "das procissões" ou “dos Reis”. Tem duas galerias sobrepostas, a baixa com vinte janelas e a alta com quarenta.
No rés-do-chão, misturam-se elementos góticos e renascentistas. Os arcos, renascentistas de volta perfeita, estão divididos por columnelos à maneira dos claustros góticos. As abóbadas exibem um complicado sistema de nervuras estreladas com fechos policromados. Nos quatro ângulos do claustro, há nichos onde aparecem representadas a Anunciação, a Natividade, a Adoração dos Reis e a Apresentação de Jesus no templo. Medalhões, com bustos e nomes de profetas do Antigo Testamento, adornam a face interna dos pilares que sustentam as abóbadas.
Cada uma das portas que abrem para o claustro tem, sobre si, a imagem esculpida em pedra dos santos mais importantes da Ordem. As duas portas abertas na ala sul dão acesso ao Salão de Profundis, um dos espaços mais antigos do convento, onde a comunidade orava pelas almas dos defuntos ao ir e voltar do refeitório. Daqui passa-se ao Claustro dos Tanques e à antiga enfermaria. Esta parte do convento habitualmente está fechada ao turismo.
Na ala leste do claustro, duas portas dão acesso ao Capítulo Antigo (séc. XV) e ao Capítulo Novo (séc. XVII).
• O Capítulo Antigo é uma das dependências mais antigas do convento. Serviu de cemitério para os filhos mais ilustres da comunidade, daí albergar os restos de Francisco de Vitoria e Domingo de Soto. Na Sala Capitular Antiga, a comunidade de frades dominicanos tomou decisões que marcaram o curso da humanidade, como apoiar Cristóvão Colombo ou participar na evangelização da América. Entre os seus muros, gestaram-se os Direitos Humanos e o Direito Internacional.
• O Capítulo Novo foi inaugurado em 1667. Foi financiado por frei Íñigo de Brizuela, bispo de Segóvia. A portada tem uma hornacina com a figura de São Estêvão. É já de estilo maneirista e dos seus muros pendem os retratos dos filhos prediletos do convento. É utilizado atualmente como sala de conferências.
A última porta desta galeria dá acesso à Escadaria de Soto.
Na ala norte do claustro baixo, que confina com a igreja, abrem-se cinco pequenas portas correspondentes a outros tantos confessionários. Cada uma delas tem um pequeno para o confessor e uma janela com grade aberta para as capelas do lado da epístola da igreja. Segundo uma antiga tradição, num deles se confessava Santa Teresa de Jesus.
7.- A ESCADARIA DE SOTO No ângulo nordeste do claustro, abre-se a porta que dá acesso à Escadaria de Soto, que comunica o claustro baixo e o alto. Data de 1553 e foi custeada por Domingo de Soto no seu regresso do Concílio de Trento. É uma escadaria em consola, sem suportes que sustentem os seus pesados degraus de granito. Foi construída pelo arquiteto Rodrigo Gil de Hontañón e foi considerada um alarde da arquitetura do seu tempo, a ponto de no séc. XVIII ter sido copiada em alguns dos edifícios mais importantes do barroco salmantino.
8.- A SACRISTIA A sacristia, com acesso pela caixa da escadaria, é obra dos arquitetos Alonso Sardiña e Juan Moreno, iniciada em 1627 e patrocinada por frei Pedro de Herrera Suárez, catedrático da Universidade de Salamanca, prior do convento e bispo de várias cidades espanholas.
Destacam-se as suas grandes dimensões e a decoração classicista à base de pilastras caneladas. As grandes cómodas encaixam-se nos arcos que se abrem nos muros. Em várias vitrines, exibem-se ornamentos litúrgicos. Os muros da cabeceira e dos pés assemelham-se a arcos de triunfo, com o frontão partido para acolher uma hornacina com a imagem da Virgem, na cabeceira, e de São Domingos aos pés, sobre a porta. No muro da esquerda, dentro de um arcosólio, encontra-se a escultura orante do fundador. No muro fronteiro, um nicho acolhe a urna com os seus restos.
7.- CAPELA DOS BONAL Na cabeceira desta pequena capela, antessala da igreja, encontra-se o cenotáfio de mármore dedicado a D. Fernando Álvarez de Toledo, III Duque de Alba. Foi realizado em 1984 por Fernando Chueca Goitia. Acolhe sob um arco o busto do Grande Duque, cópia do que realizou Pompeo Leoni.
8.- A IGREJA DE SÃO ESTÊVÃO O promotor da atual igreja de São Estêvão foi o cardeal Juan Álvarez de Toledo, filho do II Duque de Alba e tio do III Duque de Alba, que tinha sido frade neste convento. A igreja foi desenhada pelo arquiteto Juan de Álava. As suas obras começaram em 1524 sob a direção de dito arquiteto para, posteriormente, serem continuadas por frei Martín de Santiago, Rodrigo Gil de Hontañón e Juan de Ribero, sendo consagrada em 1610. É uma igreja de planta de cruz latina, com nave única de 87 m de comprimento e capelas abertas entre os contrafortes. Apesar das datas tão tardias em que foi iniciada, o seu estilo, em linhas gerais, é tardo-gótico. A nave apresenta abóbadas de ogivas muito planas, reflexo de um gótico tardio. Os fechos são decorados com rosetões de gosto plateresco. Sobre o transepto ergue-se o zimbório realizado por Rodrigo Gil de Hontañón, já de estilo renascentista. Ostenta belos fechos policromados decorados com imagens de santos, destacando-se o fecho central que representa a Coroação da Virgem. Chamam a atenção as grandes dimensões do presbitério e do coro situado aos pés e sustentado por um grande arco carpanel.
O presbitério, elevado sobre o resto da igreja, é presidido pelo grandioso retábulo realizado em finais do séc. XVII por José de Churriguera, considerado um dos retábulos mais importantes do último barroco espanhol. Ergue-se sobre um elevado basamento no qual se abrem duas portas laterais que dão acesso à antiga cripta. O corpo central é articulado com seis grandes colunas salomónicas de ordem gigante, decoradas com pâmpanos e folhas de videira, símbolos da eucaristia. Nas ruas laterais abrem-se dois nichos com as esculturas de São Domingos de Gusmão, no lado da Epístola, e de São Francisco de Assis, no do Evangelho. O centro do retábulo é presidido pelo grande expositor do Santíssimo Sacramento. O sacrário-tabernáculo assemelha-se a um templete, com cúpula e colunas salomónicas. No centro do sótão, uma grande pintura, realizada por Claudio Coello, representa a Lapidação de Santo Estêvão. Os retábulos do transepto estão dedicados a São Domingos de Gusmão, o do lado do Evangelho, e a São Tomás de Aquino o da Epístola.
No transepto do evangelho abre-se, à maneira de arco triunfal, a Capela do Rosário. Tem retábulo barroco realizado por José de Churriguera, com a imagem da Virgem do Rosário oferecida pelo papa Pio V no século XVI. Sobre o arco, uma pintura mural de Antonio Villamayor representando a Coroação da Virgem. No transepto sul encontra-se a porta de saída para o claustro, dedicada a São José, com delicada decoração de grotescos.
- O CLAUSTRO ALTO O claustro alto já é plenamente renascentista, com arcos de volta perfeita que descansam sobre pilastras e capitéis platerescos, medalhões nas sanefas e uma singela cobertura de madeira. No ângulo noroeste da galeria setentrional, duas portas dão acesso ao coro e à antiga biblioteca onde hoje se encontra o museu.
10.-O CORO O acesso ao coro a partir do claustro realiza-se através de uma belíssima e original porta plateresca presidida pelo escudo do frei Juan Álvarez de Toledo. Situado aos pés do templo, levanta-se sobre três tramos de abóbadas rebaixadas. O primeiro que chama a atenção é a espetacular vista da nave da igreja, com o retábulo de José de Churriguera presidindo o altar-mor. A silleria de nogueira foi traçada por Alonso Balbás em meados do século XVII. A sua ornamentação, já maneirista, reduz-se a desenhos geométricos. Na cadeira do prior, há uma hornacina com a imagem de São Domingos, e sobre ela, um quadro da Virgem com o menino, cópia do original de Rubens que se encontra no museu. Um gigantesco fresco, realizado em 1705 por Antonio Palomino, cobre o topo do coro. Representa, em dois planos, a Igreja Militante e a Igreja Triunfante.
MUSEU DE ARTE SACRA
O museu está instalado no que foi a antiga biblioteca, situada sobre a portaria.
• A primeira sala é dedicada à pintura, destacando-se uma Virgem com o menino de Rubens.
• Ao entrar na segunda sala, expõem-se várias esculturas românicas, talhadas em madeira, provenientes do Convento da Peña de Francia.
• O museu exibe a Bíblia que o Papa Luna ofereceu a São Vicente Ferrer.
• Coleção de pequenos óleos pintados sobre cobre.
• Esculturas de marfim provenientes das Filipinas que foram trazidas pelas missões que evangelizaram nessas terras.
• Manuscritos.
• Dois livros corais do século XVI.
• Ornamentos e ourivesaria religiosa dos séculos XIII ao XVII.
• Imagens barrocas.
• Vários relicários.
• Também possui obras de ourivesaria doadas por reis e nobres que favoreceram o convento.
• Vestes litúrgicas: capas pluviais, casulas e dalmáticas.