CUEVA DE SALAMANCA
30 minutosAo lado dela ergue-se um troço da muralha que protegia a cidade na Idade Média e a Torre do Marquês de Villena. Esta torre está intimamente ligada à célebre lenda que deu fama ao enclave: a história dos ensinamentos de artes ocultas que, segundo a tradição, eram ministrados na cova e que alimentaram a imaginação de viajantes e escritores desde tempos remotos.
Hoj, este espaço combina património, paisagem e mito, tornando-se uma paragem imprescindível para quem deseja descobrir o lado mais enigmático e evocador de Salamanca.
Preço visita livre
- Individual - 0.00 €
Os vestígios da Igreja de São Cipriano (ou San Ciprián) encontram-se na Cuesta de Carvajal, na encosta que desce do Teso de las Catedrales em direção ao Arroyo de Santo Domingo. Este templo estava localizado dentro do traçado da primeira muralha medieval, fazendo parte de sua estrutura. Seu ábside destacava-se como um cubo defensivo que protegia a entrada da cidade pelo Postigo de San Ciprián.
A Igreja foi fundada pelos repovoadores francos, em meados do século XII, na zona do Azogue Viejo. Situa-se atrás da catedral, no que com o tempo passou a ser o bairro dos cônegos. Não se pode descartar que sua dedicação a São Cipriano indique a existência de antigos ritos mágicos no local, anteriores ao cristianismo. São Cipriano de Antioquia, mago e necromante antes de se converter ao cristianismo, acabaria sendo venerado como protetor contra todo tipo de malefícios.
Isabel a Católica ordenou murar suas paredes quando soube que no local eram praticados ritos ocultos. A paróquia foi suprimida no século XVI e sua pedra utilizada para a construção da Catedral Nova. Em sua memória, foi colocada na pequena praça uma cruz com a estátua de São Cipriano, acompanhada de uma inscrição que dizia: "Esta foi a igreja de São Cipriano". Atualmente, a referida cruz encontra-se no cemitério de São Carlos Borromeu. Recentemente, em 2025, o escultor Oscar Alvariño realizou uma reprodução da cruz, que foi colocada em seu local original. Após a destruição da igreja, a cripta serviu de arrecadação para um palácio próximo; posteriormente foi utilizada como armazém de uma padaria e até mesmo como carvoaria.
No início da década de 1990, este espaço foi escavado e restaurado, abrindo ao público em 1993. Desde então, consolidou-se como uma área arqueológica de grande interesse, que abriga a emblemática Torre de Villena, um trecho da histórica Cerca Velha e a enigmática Cueva de Salamanca. Do outro lado da rua encontra-se o Centro de Interpretação das Muralhas Salmantinas, Salmantica Sedes Antiqua Castrorum, onde podem ser vistos in situ importantes vestígios da muralha castreja e da cerca medieval.
A GRUTA DE SALAMANCA NA LITERATURA A lendária Gruta de Salamanca deixou uma profunda marca na literatura, tornando-se fonte de inspiração para grandes escritores. Cervantes dedicou-lhe um entremés, Ruiz de Alarcón escreveu uma comédia sobre ela e Quevedo a mencionou em seus textos, ecoando a misteriosa aventura do Marquês de Villena. Em 1733, o português Botello de Moraes imaginou um relato fantástico em Las cuevas de Salamanca, e até Walter Scott a incluiu em sua poesia, evocando um mago cujo poder alcançava fazer soar os sinos de Nôtre Dame quando movia sua varinha mágica. A gruta voltará a ter protagonismo em El manuscrito de Piedra de Luís García Jambrina.
A história da gruta transpôs fronteiras. Em alguns lugares da Hispano-América, chamam-se Salamancas as grutas habitadas por bruxas e seres demoníacos. E assim o registra Unamuno quando diz: "Da velha lenda necromântica e alquímica desta cidade, do que fez com que o nome de Salamanca signifique o que significa em recantos afastados dessa terra americana – a Salamanca! –, dessa, o que vos hei de dizer? Ainda discutem aqui onde se encontravam as famosas grutas em que o marquês de Villena se dedicava às suas bruxarias e encantamentos”.
Ao longo do percurso, vários painéis informam o visitante sobre a história e as lendas ligadas a este lugar.
1.-IGREJA E CRIPTA(Gruta de Salamanca) O que chegou aos nossos dias limita-se à cripta da igreja. No nível superior, as escavações e restaurações dos anos noventa revelaram os muros perimetrais da igreja. Tratava-se de um templo de dimensões reduzidas, planta retangular e cabeceira semicircular. Uma grade cobre atualmente o acesso à cripta a partir da igreja.
O forte desnível da rua foi aproveitado para construir uma cripta sob a capela-mor. A comunicação entre a cripta e a cabeceira era feita através de uma estreita escadaria com abóbada de berço em ardósia. Este espaço é coberto por uma abóbada de berço que parte de uma linha de imposta chanfrada. No pavimento pode ver-se indicado o lugar que ocupava a abside semicircular e a sua espessura. A abside servia por sua vez como cubo defensivo da muralha e protegia a passagem imediata de San Cebrián.
Aqui encontra-se um enigmático busto de Diego de Torres Villarroel, obra do escultor Agustín Casillas. Diego de Torres foi uma figura multifacetada; ao longo da sua vida foi escritor, astrólogo, matemático, sacerdote, exorcista, médico, toureiro. A efígie está carregada de mistério; aparece representada de frente, com olhos demoníacos e com a imagem de uma coruja no verso.
2.- MURALHA Neste espaço, conserva-se o troço da Cerca Velha que se estende entre a abside da igreja de San Cebrián e a chamada Torre do Marquês de Villena. Este trecho de muralha medieval, construído no século XII, fazia parte do sistema defensivo que protegia o Teso das Catedrais
Este troço foi em parte destruído em 1979 durante as obras de demolição de um palácio conhecido como Casa da Concórdia. As escavações realizadas posteriormente trouxeram à luz túmulos do cemitério de San Cebrián e, nos níveis inferiores, estratos da ocupação pré-romana. O corte feito na muralha permite ver a espessura e a técnica de construção da mesma. Torre e muralha assentam sobre os estratos geológicos e na sua elevação podem-se reconhecer diferentes fases de construção e reconstrução da mesma.
3.- TORRE DO MARQUÊS DE VILLENA Daqui podemos aceder à Torre do Marquês de Villena, personagem protagonista da lenda da Gruta. Trata-se de uma construção do século XV que se apoia sobre um dos cubos da primitiva cerca da cidade. É a única estrutura que resta do Palácio Mayorazgo dos Albandea, palácio ao qual se acedia pela Rua de San Pablo. Na porta de acesso e nos cantos do topo da torre, apresenta brasões da família Sánchez de Palenzuela, à qual parece ter pertencido. No seu interior, umas escadas metálicas permitem subir até ao miradouro, de onde se tem vistas inigualáveis da zona sudeste da cidade.
SALA MUSEALIZADA Sobre a muralha, no espaço compreendido entre a igreja e a Torre do Marquês de Villena, foi construído um moderno edifício de betão onde estão expostos os vestígios arqueológicos recuperados nas escavações realizadas nos anos noventa na igreja e na necrópole da igreja de São Cebrián. Nele podem ser vistos: • mísulas de madeira com faces policromadas • molduras românicas, com decoração axadrezada e de palmetas • túmulos e estelas discoides medievais provenientes da necrópole da igreja de São Cebrián.
Do outro lado da rua encontra-se o Centro de interpretação das muralhas,Salmantica Sedes Antiqua Castrorum, onde podem ser vistos in situ importantes vestígios da muralha castreja e da cerca medieval.