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La Cuaresmera 2020

A Quaresma, -período de quarenta dias, de jejum e abstinência de carne, que precede a Páscoa e que começa na Quarta-feira de Cinzas- já aparece documentada na literatura francesa do século XIII e em Castela no século XIV pelo Arcipreste de Hita em O Livro do Bom Amor.

No século XVII, a representação popular da Quaresma generaliza-se na Europa Central, em forma de calendário quaresmal, que representa as sete semanas da Quaresma.

Em Espanha, esse calendário é conhecido como La Cuaresmera, do qual existem múltiplas representações. Personifica-se na figura de uma anciã, feita em madeira ou cartão, que mostra os alimentos próprios do tempo da Quaresma, vegetais e peixe. Tem sete pernas que representam as sete semanas quaresmais, símbolo dos dias de jejum do Senhor no deserto. Existem inúmeras representações dela.

La Cuaresmera costumava ser pendurada numa janela da casa na Quarta-feira de Cinzas e, a cada domingo da Quaresma, arrancava-se-lhe uma perna. No Domingo de Páscoa da Ressurreição, era serrada ou queimada com a última perna que lhe restava e celebrava-se esse dia de júbilo com uma suculenta refeição na qual a carne voltava a fazer a sua presença sob a forma de cordeiro, enchidos ou hornazo.

La Cuaresmera era também exibida nas montras dos comércios e mercearias para anunciar a venda de bacalhau em salmoura, protagonista no tempo de vigília quaresmal, por ser o único que chegava a Castela -conservado em salmoura- e que mostrava grande variedade na sua preparação.